Yay or Nay: Filmes

Nesse segundo post, temos um vencedor do Oscar, um filme todo filmado com um iPhone e um filme de espionagem, entre outros.

1- A Fantastic Woman (Una Mujer Fantástica) (2017)

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Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2018, A Fantastic Woman conta a história de Marina, uma jovem garçonete e cantora em um clube noturno, lugar onde conhece e se apaixona por Orlando, que é bem mais velho e divorciado. Sua vida muda quando, após Orlando acordar reclamando de uma forte dor de cabeça e não resistindo, é forçada a confrontar sua ex esposa e filho. Maltratada e considerada suspeita da morte, é impedida de ir ao funeral para se despedir de seu amor. O filme não possui um roteiro complexo, porém acredito que essa era a intenção, tendo como objetivo focar em Marina, que é transexual, e sua luta contra os intermináveis ataques de preconceito que sofre, seja da família de Orlando, dos médicos e policia. Mesmo contando com uma ótima e sensível direção do chileno Sebastián Lelio, que ocasionalmente insere belíssimos momentos fantasiosos no filme, em que mostra o estado de espirito da personagem, o filme definitivamente não teria o mesmo impacto caso não tivesse uma atriz tão talentosa à sua frente. Daniela Vega, que também é transexual, está formidável como Marina, em uma das melhores atuações femininas do ano passado.

Veredito: YAY – Definitivamente recomendado, A Fantastic Woman é um filme importantíssimo para a atualidade, é sensível,emocionante e por vezes brilhante, além de trazer uma belíssima atuação de Daniela Vega. Avaliação: 8

2- Unsane (2018)

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Pelo jeito Steven Soderbergh decidiu adiar indefinitivamente sua aposentadoria, que havia anunciado após dirigir o elogiado filme para tv Behind the Candelabra (2013). Antes de Unsane, fez o ótimo Logan Lucky (2017) e possui ainda 2 novos projetos com previsão para 2019. Unsane, que é todo filmado com um iPhone, conta a história de uma jovem que é internada involuntariamente em uma instituição mental, onde é confrontada por seu maior medo, um perseguidor que a vem atormentando por anos. Mas esse medo é real ou produto de sua ilusão? O filme falha ao tentar vender a idéia de possível paranoia, quando não demora muito para percebermos que se trata de um suspense previsível. Mesmo lidando com assuntos como assédio sexual, doenças mentais, a tecnologia e um corrupto sistema de seguro de saúde, o longa opta por focar no suspense de perseguição, em uma trama que vai perdendo cada vez mais a lógica e acaba se tornando um filme de horror B.  O longa até tem seus momentos, todos devido à excelente atuação da inglesa Claire Foy (The Crown 2016–). É surpreendente como a atriz consegue trazer dignidade a tamanha bobagem.

Veredito: NAY – Mesmo com uma formidável Claire Foy, Unsane é vendido como um suspense psicológico relevante, quando no final é apenas um filme de horror B ruim. Avaliação: 4

3- Princess Cyd (2017)

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Decidida a passar um tempo longe de seu pai depressivo, a jovem de 16 anos Cyd decide passar o verão na casa de sua tia Miranda, uma renomada romancista que vive em Chicago. Lá acaba conhecendo Katie, uma barista por quem começa a nutrir uma forte atração sexual. Dirigido pelo jovem Stephen Cone, que antes havia dirigido o promissor porém irregular Henry Gamble’s Birthday Party (2015), o longa é decididamente um progresso em sua carreira. Apesar do relacionamento entre as duas garotas ser sensível e interessante, o ponto mais forte do filme é o relacionamento entre Cyd e sua tia, em que o contraste cultural, a diferença de idade e personalidade, resultam em uma troca de experiências irresistível, em um filme que, ao invés de ir para o caminho do dramalhão, e o roteiro tinha material para isso, prefere mostrar o dia a dia desses personagens em um curto espaço de tempo, o que é um grande acerto.

Veredito: YAYPrincess Cyd é uma delicia de filme. É encantador, bem atuado, simples e extremamente positivo.  Uma grata surpresa. Avaliação: 7,5

4- Most Beautiful Island (2017)

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Most Beautiful Island conta a história de Luciana, uma imigrante sem documentos que tenta a vida em Nova York enquanto tenta escapar dos fantasmas de seu passado. Trabalhando nas ruas promovendo redes de restaurantes e também como babá, com o objetivo de fazer um dinheiro extra, Luciana se vê envolvida em um jogo cruel, em que sua vida e de outras mulheres, são colocadas em risco para o prazer de alguns privilegiados. Estrelado pela espanhola Ana Asensio, que também assina a direção, o longa é um suspense e também uma crítica social e o filme acerta em ambos. A forma como mostra a luta de imigrantes ilegais tentando a vida em uma grande metrópole é triste e realista e o filme, principalmente em sua segunda metade, se transforma em um suspense aterrorizante, tudo somado a uma ótima atuação de Ana.

Veredito: YAY – interessantíssimo modesto filme que explora um grave problema social em um eficiente suspense. Não vejo a hora de ver o que a talentosa diretora/atriz fará em seguida. Avaliação: 7

5- Red Sparrow (2018)

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Já havia falado de Red Sparrow em um antigo post, o Preview, em que disse que a recepção desse novo filme de JLaw havia tido uma recepção pouco positiva entre os críticos. Mas como diz o ditado, “Ver para crer”, fui vê-lo e… O filme conta a história de uma jovem bailarina que, após um acidente, é obrigada a se tornar uma espiã russa. Bom, primeiramente é bom dizer que é um filme bem produzido e que Jennifer Lawrence não decepciona. Porém isso não é o suficiente. Apesar de bem intencionado, o filme é extremamente confuso e por vezes previsível. Para piorar, os personagens são mal desenvolvidos, não há química nenhuma entre Lawrence e Joel Edgerton e atores do calibre de Jeremy Irons, Charlotte Rampling e Matthias Schoenaerts são totalmente desperdiçados em papéis vergonhosos.

Veredito: NAY – Embora não seja totalmente ruim, mesmo com o talento envolvido, Red Sparrow possui muitas falhas, perdendo a oportunidade de ser um filme de espionagem sólido.  Avaliação: 5

Dica Filme: Center of My World (Die Mitte der Welt) – 2016

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Após retornar de uma viagem de férias de verão, Phil (Louis Hofmann) retorna à escola, quando conhece e acaba se apaixonando pelo novo aluno, Nicholas (Jannik Schümann). Filme alemão dirigido pelo austríaco Jakob M. Erwa, o longa se destaca por ser charmoso e espirituoso e, principalmente, por ser bem atuado, principalmente por Hofmann, que aos 21 anos, está em um grande momento em sua carreira, tendo em seu currículo o excelente filme Land of Mine (2015) e a série fenômeno da Netflix Dark (2017– ).

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O relacionamento entre os garotos é tratado de forma sensível e sensual, tudo com extremo bom gosto e os atores possuem uma boa química juntos. O filme não mostra nenhum sinal de preconceito quanto à sexualidade de Phil, o que acaba sendo inspirador, mesmo que consequentemente perca um pouco de sua força dramática. Além de focar no primeiro amor, o longa trata de assuntos como amizade, traição, problemas familiares (sua mãe, que não consegue se manter em um relacionamento, esconde a identidade de seu pai) e até um mistério que envolve sua irmã gêmea, que, apesar de dramático, acaba sendo pouco desenvolvido. O resultado é um filme acima da média, divertido, sexy e por vezes emocionante. Boa pedida.

Avaliação: 7

 

 

Review filme: Black Panther (2018)

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Sinopse: Após os eventos de Captain America: Civil War (2016), T’Challa (Chadwick Boseman) volta para casa para tomar seu lugar como rei de Wakanda. Porém, quando um antigo inimigo reaparece no radar, T’Challa é atraído à um conflito que coloca o destino de Wakanda e do mundo em risco.

Recomendo porque: Primeiramente, só o fato de termos uma superprodução baseada em HQ com um elenco formado quase que completamente por atores negros é uma grande vitória. Segundo, porque é também um filmaço. O filme tem direção de Ryan Cooler, dos elogiados Fruitvale Station (2013)Creed (2015). Com um sólido roteiro trazendo um oportuno fundo político, cenas visuais e de ação excelentes (uma cena de perseguição de carros se destaca) e um belíssimo e afiado elenco, não é a toa que o filme se tornou um fenômeno de bilheteria. Chadwick Bozeman está ótimo como o protagonista assim como Michael B. Jordan como Erik Killmonger, porém o filme se destaca pelo excelente e fortíssimo grupo de personagens femininas, interpretadas por Danai Gurira, Lupita Nyong’o e Letitia Wright, que rouba a cena como a princesa Shuri.

Poderia ser melhor se:  Bom, estamos falando de um filme de super heróis, portanto é de se esperar um pouco de exagero, seja em um efeito visual ou uma situação improvável mesmo para esse gênero e Black Panther não é diferente.

Veredito: Um dos melhores filmes da Marvel, Black Panther é um filme absolutamente importante e influente que entrega em diversão, cultura e igualdade como poucos filmes o fazem.

Avaliação: 8

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Chadwick Boseman, além das capas de diversas revistas norte americanas, poderá ser visto novamente como Black Panther em Avengers: Infinity War, com estréia para abril desse ano e também no filme seguinte da série Avengers, ainda sem título, mas com previsão de estréia em 2019.

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A belíssima Lupita Nyong’o tem como próximos projetos a comédia de horror Little Monsters (2018), o próximo capítulo da saga Star Wars: Episode IX (2019) e o ainda não confirmado remake de Charlie’s Angels, que ainda tem o rumor de ter também Kristen Stewart no elenco.

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Michael B. Jordan será visto no filme para a HBO Fahrenheit 451 (2018), ao lado de Michael Shannon e na sequência Creed II (2018) com Sylvester Stallone.

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Danai Gurira pode ser vista na série The Walking Dead (2010– ), como Michonne e também estará em Avengers: Infinity War (2018).

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Letitia Wright também aparece em Avengers: Infinity War (2018) e estará em Ready Player One (2018), o novo filme de Spielberg.

Preview: Filmes 2018

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9- A Quiet Place

Sinopse: Uma familia vive isolada em completo silêncio tentando sobreviver em um mundo dominado por criaturas que atacam quando atraídas pelo som.

Sobre: Trata-se do segundo longa do ator John Krasinski, que antes dirigiu o fraco The Hollars (2016). O filme estreou no festival SXSW, de onde colheu elogios rasgados. Original e assustador são alguns dos adjetivos usados para descrever o filme que, além do próprio Krasinski no elenco, conta com sua mulher, a sempre ótima Emily Blunt. Tudo indica que será um sucesso, seguindo a tendência do ano passado, fazendo de 2018 também um ótimo ano para filmes de terror. Estréia dia 6 de abril.

Elenco:

 

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10- Hereditary

Sinopse: Após a morte da reclusa matriarca da família Graham, sua filha Annie (Toni Collette) e sua família passam a desvendar segredos sinistros sobre seus antepassados.

Sobre: Falando em filmes de terror, Hereditary é mais um elogiadíssimo filme a ter passado no festival SXSW. Porém sua estreia foi no festival de Sundance, em janeiro desse ano. Qualquer filme estrelado pela ótima Toni Collette já chama atenção e nesse filme sua atuação foi destaque em diversas críticas, que já a consideram forte candidata à premiações para o próximo ano. A grande Ann Dowd também se destaca no elenco. Trata-se do filme estréia do diretor Ari Aster, que antes só havia dirigido curtas. Baseado na resposta ao seu primeiro longa, Aster tem tudo pra ter uma carreira promissora. Estréia dia 8 de junho.

Elenco: 

 

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11-Tully 

Sinopse: O filme conta a história de Marlo (Charlize Theron), mãe de 3 crianças, entre elas um recém nascido, que ganha de presente de seu irmão uma babá noturna. No começo hesitante, Marlo acaba criando um vínculo forte com a surpreendente babá Tully (Mackenzie Davis).

Sobre: Reunindo novamente a dupla por trás dos ótimos Juno (2017) e Young Adult (2011), Jason Reitman (direção) e Diablo Cody(roteiro), a comédia estrelada por duas das melhores atrizes da atualidade já foi conferida por alguns críticos e a resposta foi bastante positiva. Baseado no talento envolvido, Tully parece entregar um retrato atento e engraçado sobre os desafios da maternidade. Estréia dia 4 de maio.

Elenco: 

 

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12- Gemini

Sinopse: O filme conta a história do estranho relacionamento entre uma assistente e sua impulsiva chefe, uma jovem estrela de cinema, em que a primeira se torna investigadora e suspeita após um violento crime.

Sobre: Escrito e dirigido pelo jovem diretor Aaron Katz (Cold Weather, 2011), o elogiadíssimo filme é descrito como um sofisticado neo-noir que, além de tratar de assuntos como fama, celebridades e gênero, possui um irresistível mistério central. O elenco, sobretudo Lola Kirk, é bastante elogiado. Imperdível. Estréia dia 30 de março.

Elenco:

 

Yay or Nay: Filmes

Acabei de voltar de viagem de férias e como os vôos eram longos, tive a oportunidade de assistir alguns filmes que perdi no cinema ou que, baseado na qualidade duvidosa desses filmes, compensava esperar até que estivessem disponíveis para locação ou nos canais de streaming. Nesse novo post, irei avaliar esses filmes ou séries que assisti utilizando as expressões Yay, para os que recomendo e Nay, para os que recomendo evitar.

1- Final Portrait (2017)

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O caso desse filme não é nenhum dos que citei acima. Já o tinha colocado em minha watchlist, porém ainda não tinha estreado nos EUA (estréia dia 23 de março). Porém, após ver que o filme ja estava disponível no catálogo britânico da Netflix, não pensei duas vezes antes de assisti-lo. O filme se passa em Paris no ano de 1964 e conta a história pelo ponto de vista do escritor James Lord (Armie Hammer), que em curta viagem a Paris, atende o pedido do amigo, o grande artista Alberto Giacometti (Geoffrey Rush) de posar para um retrato. O que, nas palavras de Giacometti, seria coisa de alguns dias, acabou se tornando semanas. Ao contrário da maioria dos filmes sobre gênios da arte, em que suas vidas inteiras são dissecadas no intuito de mostrar os dramas e demônios por traz das famosas obras de arte, Final Portrait prefere focar no processo da arte em si, embora não deixando de lado os dramas e paixões que atormentavam o artista. Dirigido pelo ator Stanley Tucci, trata-se de um filme modesto e um bom veiculo para o talento de Rush, porém incomoda que o personagem de Hammer não seja mais desenvolvido, assim como os demais personagens.

Veredito: YAY – Mesmo que fiquemos com a impressão de que, com esse conteúdo e artistas envolvidos, poderia ter sido um filme superior, ainda assim é animador a direção que o filme segue em contraste com outras biografias, é divertido, bem atuado e um deleite para fãs de arte e historia. Avaliação: 7

2 – Justice League (2017)

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Bem, nesse caso, vi no avião mesmo, o que foi uma sábia decisão. Depois do sofrível Batman vs Superman: Dawn of Justice (2016), eu certamente não era o único a ter dúvidas quanto à qualidade desse filme. Após os acontecimentos do filme citado acima, Batman (Ben Affleck, apático), com a ajuda de Wonder Woman, recrutam um pequeno grupo de “metahumans” com o objetivo de lutar contra o super vilão Steppenwolf (criado em computação gráfica, em uma decisão infeliz), que, adivinhem, quer destruir o mundo. Somos então apresentados à The Flash (um irritante Ezra Miller), Aquaman (um ranzinza Jason Momoa) e Cyborg (Ray Fisher, que não compromete). O roteiro é genérico, o vilão é fraco, possui uma ou outra cena de ação mais empolgante e, na tentativa de ser mais leve, são encaixadas várias piadas, de que tão sem graça, acabam sendo embaraçosas. E por fim, o filme sofre pela falta de carisma por parte de seus heróis. Ok, Gal Gadot até se esforça, mesmo que o filme não lhe dê muitas oportunidades, mas é difícil torcer para os demais personagens, o que é um problema gravíssimo para qualquer filme.

Veredito: NAYJustice League é uma bobagem totalmente dispensável. Recomendo esperar pela continuação de Wonder Woman ou até o filme solo de Aquaman, pelo qual ainda tenho esperanças. Avaliação: 4