Dica: Filmes

1- Burning (2018)

Jong-su acaba se encontrando com uma garota que morava no mesmo bairro que ele, que pede que ele cuide de seu gato durante uma viagem à África. Quando retorna, ela apresenta Ben, um cara misterioso que conheceu na viagem, que confessa seu passatempo secreto. Filme representante da Coreia da Sul no Oscar 2019, que, inexplicavelmente, acabou ficando de fora da lista final. No que poderia ser apenas um suspense eficiente, acabou sendo um profundo e poderoso estudo de personagens. Ah, e repleto de suspense. Estrelado pelos talentosos Ah-in Yoo, Jong-seo Jun e Steven Yeun, o Glenn de The Walking Dead (2010- ), Burning é absolutamente brilhante, sem duvida um dos melhores filmes do ano passado. Avaliação: 9

2- The Wife (2017)

Uma esposa questiona suas escolhas de vida enquanto viaja para Estocolmo com o marido, onde ele irá receber o Prêmio Nobel de Literatura. Dirigido pelo sueco Björn Runge, The Wife possui uma trama interessante e é bem executado, mas que provavelmente passaria despercebido não fosse a primorosa atuação de Glenn Close, que finalmente deverá sair com a estatueta dourada após ser indicada seis vezes ao Oscar, sem nunca ter ganho. O filme em si é irregular, perdendo força nos flashbacks e também no elenco coadjuvante, que, com exceção de Jonathan Pryce, está bem aquém do talento da veterana atriz. Avaliação: 7

3- Disobedience (2017)

Uma mulher retorna à sua comunidade judaica ortodoxa que a evitou por sua atração por uma amiga de infância. Ao retornar, a paixão entre as duas reacendem enquanto exploram os limites da fé e da sexualidade. Filme do chileno Sebastián Lelio, que antes fez o belíssimo A Fantastic Woman (2017), que ganhou o Oscar de filme estrangeiro no ano passado. Mais um trabalho excelente do diretor, que se mantém entre os maiores talentos da atualidade. Ainda mais complexo do que parece, o filme não trata apenas de uma historia de amor proibido, mas também de personagens se libertando dos vínculos e regras impostos pela sociedade que os rodeiam. Estrelado por Rachel McAdams, Rachel Weisz e Alessandro Nivola, todos excelentes. Avaliação: 8,5

4- The Captain (2017)

Nos últimos momentos da Segunda Guerra Mundial, um jovem soldado alemão, lutando pela sobrevivência, encontra um uniforme de capitão nazista e acaba rapidamente assumindo a identidade monstruosa dos criminosos dos quais está tentando escapar. O filme mostra os atos hediondos e sombrios de um homem que, já um monstro por instinto, é acentuado com o poder proporcionado por um uniforme. Bem executado, porem irregular, trata-se de um filme difícil, mas ainda sim um lembrete de um dos momentos mais tristes a assustadores da historia. Estrelado por Max Hubacher, ótimo, além de Alexander Fehling e Frederick Lau. Avaliação: 7

Yay or Nay: Filmes

1- Boy Erased (2018)

O filho de um pastor é forçado a participar de um programa de terapia de conversão sexual suportado pela igreja. Dirigido pelo ator Joel Egerton, trata-se da adaptação do livro Boy Erased: A Memoir (2016), escrito por Garrard Conley. Filme de grande potencial emocional, mas que infelizmente se perde com um roteiro e direção irregulares. Ainda sim tem seus momentos e mostra um excelente trabalho de atuação de Lucas Hedges e da estrela Nicole Kidman

Veredito: YAY –  O filme certamente possui um tema importante e atual e é muitíssimo bem atuado, porém o produto final é irregular, muito aquém do potencial que tinha. Ainda assim merece ser visto. Avaliação: 6

2- Widows (2018)

Situada em Chicago, quatro mulheres sem nada em comum, exceto uma dívida deixada pelas atividades criminosas de seus maridos mortos, decidem finalizar um roubo idealizado pelos maridos. Filme de Steve McQueen (12 Years a Slave (2013)), que também escreveu, ao lado de Gillian Flynn  (Gone Girl (2014)), esse filme de assalto era um dos longas mais esperados do ano passado. E apesar de todas suas qualidades (elenco primoroso formado por Viola Davis, Elizabeth Debicki, Cynthia Erivo e Daniel Kaluuya e uma das cenas mais inspiradas do ano), acaba pecando em detalhes estupidos e dispensáveis (uso de um cachorro para desvendar um reviravolta desnecessária, Colin Farrell e Robert Duvall pouco convincentes, alem de cenas ridículas e um final frouxo).

Veredito: YAY –  Trata-se de um filme cheio de qualidades, é divertido e as atuações são de alto nível, mas também repleto de defeitos bobos, sendo também uma decepção, no que poderia ter sido um dos melhores de 2018. Avaliação: 7

3- Gemini (2017)

O filme conta a história do estranho relacionamento entre uma assistente e sua chefe, uma estrela de cinema, em que a primeira se torna investigadora e suspeita após um violento crime. Escrito e dirigido pelo jovem diretor Aaron Katz (Cold Weather, 2011) e estrelado por Lola Kirk e pela deslumbrante Zoe Kravitz, o filme tem muitos fãs e não é à toa, trata-se de um longa estiloso e interessante, porém inconsistente.

Veredito: YAY –  Não há dúvidas de que o diretor é talentoso e criou um filme que esbanja estilo e clima, alem de ser bem atuado. Porém, após um começo promissor, o filme acaba perdendo a força, finalizando de forma previsível e decepcionante. Mas é ainda um filme sólido e sem duvidas ouviremos muito sobre o diretor. Avaliação: 6,5

4- The Night Eats the World (2018)

Na manhã seguinte à uma festa, um jovem acorda e encontra Paris invadida por zumbis. Filme de estréia do diretor Dominique Rocher, o longa dividiu as criticas. Muitos o consideram lento e pouco assustador, enquanto outros o consideraram ambicioso e melancólico. Estrelado pelo norueguês Anders Danielsen Lie, eu concordo com os admiradores, mesmo não compartilhando o mesmo nível de entusiasmo. O filme acerta ao mostrar os conflitos do personagem, focando em questões existenciais e não na epidemia em si, alem de ter seus momentos, principalmente os envolvendo música. Ainda assim é pouco profundo e poderia ser um pouco mais tenso.

Veredito: YAY –  Longe de ser um 28 Days Later… (2002), o longa, mesmo um tanto pretensioso, é interessante e bem produzido. Mesmo que não vá ficar na memória, vale uma boa sessão. Avaliação: 6

5- Rust Creek (2018)

Uma universitária se perde à caminho de uma entrevista de emprego. Perdida pelas florestas de Kentucky, deverá se defender contra um bando de bandidos impiedosos. Ela é forçada a uma aliança desconfortável com um estranho solitário que tem intenções desconhecidas. Segundo longa da diretora Jen McGowan, que acerta na abordagem mais dramática, no que poderia facilmente ter sido um filme de terror Z, e conta com uma atriz talentosa (Hermione Corfield), mas que exige paciência e tem resultado irregular.

Veredito: YAY – O filme é bem intencionado, tem uma jovem atriz competente e alguns personagens relativamente desenvolvidos. Porém peca pela longa duração, pelos vários clichês, além da falta de suspense. Vale uma sessão descompromissada, mas não mais que isso. Avaliação: 5

6- Bohemian Rhapsody (2018)

Mostra a historia da lendária banda de rock Queen e seu líder Freddie Mercury, finalizando com sua famosa performance no Live Aid (1985). Dirigido pelo infame diretor Bryan Singer, que acabou sendo demitido antes de finalizar a produção, o fraquíssimo filme é, acredite ou não, sucesso absoluto de publico, tendo arrecadado mais de $800 milhões pelo mundo, alem de ter sido indicado à vários Oscars, incluindo ator, para Rami Malek e melhor filme!?.

Veredito: NAY – Ok, o filme tem seus momentos, seja na excelente personificação de Malek ou nos números musicais. Porém como filme biográfico, trata-se de um homofóbico, incorreto e problemático retrato de um dos maiores gênios da música mundial. Mercury merecia muito mais! Avaliação: 4 (pela performance de Malek, pelas musicas, logicamente e pela cena final, que revive a performance do cantor no Live Aid) No mais, evite.

7- Overlord (2018)

Um pequeno grupo de soldados americanos encontra horror atrás das linhas inimigas na véspera do Dia D. Dirigido por Julius Avery, que antes havia feito o fraco Son of a Gun (2014) com Ewan McGregor, Overlord é um filme de terror e de ação, mas que não consegue ser bem sucedido em nenhum dos gêneros. Estrelado por Jovan Adepo, Wyatt Russell e pelo dinamarquês Pilou Asbæk como o vilão.

Veredito: YAY ou NAY – Pouco inspirado e ocasionalmente divertido, o longa utiliza de cenas barulhentas , violentas e de correria para maquiar um filme que, mesmo mostrando um bando de zumbis nazistas, consegue ser inacreditavelmente tedioso. Só pra quem diminuir as expectativas consideravelmente e tiver afim de ver uma sessão descompromissada e esquecível. Avaliação: 4,5

Melhores Filmes 2018: Parte 2

16- You Were Never Really Here


Um veterano traumatizado, que não tem medo de violência, ganha a vida procurando garotas desaparecidas, até que um de seus trabalhos sai fora de controle, alterando sua vida definitivamente. Impressionante drama da diretora Lynne Ramsay, que, seis anos antes tinha feito o também excelente We Need to Talk About Kevin (2011). Adaptação de um romance de Jonathan Ames, é um dos filmes mais estilosos, brutais e interessantes do ano, com uma ótima performance de Joaquin Phoenix. Avaliação: 8

17- Eighth Grade

Elsie Fisher

Uma adolescente introvertida tenta sobreviver à última semana do desastroso ano da oitava séria antes de ir para o ensino médio. Excelente estreia na direção do também ator, o jovem Bo Burnham, Eighth Grade é um dos longas mais elogiados do ano e com razão, sendo um dos retratos mais sinceros e realistas da geração millennial. Mostra também uma das melhores atuações do ano, abrindo as portas para uma carreira brilhante para a jovem Elsie Fisher. Avaliação: 8

18- The Rider

O longa mostra um jovem boiadeiro em ascensão que, após sofrer um acidente sério, é impedido de participar de futuras competições. Baseado em historia real do próprio protagonista do filme, Brady Jandreau, que atua ao lado de seus amigos e familiares de verdade, o que acaba dando ao filme um tom mais realista e emocionante de um jovem obrigado a buscar uma nova identidade. Belíssimo trabalho da diretora Chloé Zhao. Avaliação: 8

19-  Suspiria

Algo sombrio paira sobre uma renomada companhia de dança, envolvendo a diretora artística (Tilda Swinton), uma bailarina ambiciosa (Dakota Johnson) e um psicoterapeuta de luto (Lutz Ebersdorf?). Refilmagem do terror de 1977 do italiano Dario Argento, trata-se de uma nova leitura do diretor, também italiano, Luca Guadagnino, que antes fez a obra-prima Call Me by Your Name (2017). O filme dividiu a critica e apesar de não ser completamente bem sucedido (muitas ideias porém nem todas bem desenvolvidas), o aclamado diretor faz uma obra caprichadíssima, incômoda e muito bem atuada. Avaliação: 8

20- Custody

Um casamento desfeito leva à uma amarga batalha de custódia com um garoto em apuros no centro. Excelente drama francês, sendo também estreia na direção de Xavier Legrand. Intrigante, o filme começa intencionalmente sem tomar partido, rumo à um crescente de tensão e suspense. Não é um filme fácil de digerir, é brutal e triste, mas sem duvida notável. Avaliação: 8

21- Tully

O filme conta a história de Marlo (Charlize Theron), mãe de 3 crianças, entre elas um recém nascido, que ganha de presente de seu irmão uma babá noturna. No começo hesitante, Marlo acaba criando um vínculo forte com a surpreendente babá Tully (Mackenzie Davis). Terceiro projeto do diretor Jason Reitman e da roteirista Diablo Cody, Tully mostra com extrema competência e humor, temas como maternidade e depressão pós parto. Somado à duas formidáveis atuações de suas atrizes, é sem duvida um vencedor. Avaliação: 8

22- The Cakemaker

Sensível drama sobre confeiteiro alemão que viaja para Jerusalem em busca da esposa e filho de seu amante falecido. Representante de Israel para o Oscar 2019 de melhor filme estrangeiro, o longa trata de forma delicada o amor e a dor do luto, sem jamais cair no dramalhão. Avaliação: 8

23- Mission impossible – Fallout

No sexto filme da famosa franquia, Ethan Hunt e seu time, ao lado de alguns aliados familiares, correm contra o tempo após uma importante missão dar errado. Com essa beleza de filme, a franquia não mostra sinais de estar perdendo gás, pelo contrario, o longa, dirigido por Christopher McQuarrie é inteligente, divertido e, claro, traz umas das melhores cenas de ação do ano. E não acaba por aí, duas sequências já foram anunciadas para os próximos anos. Avaliação: 8

24- The Tale

Uma documentarista investiga suas próprias memórias do abuso sexual que sofreu quando tinha 13 anos. Baseado na vida da própria diretora Jennifer Fox, sendo esse seu longa de estreia. Antes havia dirigido somente documentários. The Tale é um filme difícil e angustiante, mas absolutamente importante e muito bem realizado. Laura Dern, elogiadíssima no papel, em minha opinião, acaba entregando uma performance sólida porém imperfeita. Avaliação: 8

25- Black Panther

Após os eventos de Captain America: Civil War (2016), T’Challa (Chadwick Boseman) volta para casa para tomar seu lugar como rei de Wakanda. Porém, quando um antigo inimigo reaparece no radar, T’Challa é atraído à um conflito que coloca o destino de Wakanda e do mundo em risco. O longa de Ryan Cooler é, sem dúvida, um dos melhores filmes da Marvel, de grande importância histórica, e também divertidíssimo. Que venha a parte 2! Avaliação: 8

26- A Quiet Place

Uma família vive isolada em completo silêncio tentando sobreviver em um mundo dominado por criaturas que atacam quando atraídas pelo som. Segundo longa do ator John Krasinski, o filme foi um sucesso de publico e critica, sendo uma das melhores surpresas do ano passado. Aterrorizante, corajoso e arrebatador, com uma excelente Emily Blunt. Avaliação: 8

27- Paddington 2

Paddington, agora estabelecido com a família Brown, acaba sendo injustamente acusado de roubo e vai para a prisão. Encantadora sequencia do também excelente filme de 2014, Paddington 2 é um filme delicioso, emocionante e engraçado, e de quebra, traz uma ótima atuação de Hugh Grant como o vilão. Um deleite de filme, sendo um dos melhores longas do ano passado. Absolutamente irresistível! Avaliação: 8

28- Blindspotting

Faltando poucos dias para terminar sua liberdade condicional, um homem começa a reavaliar seu relacionamento com seu melhor amigo. Escrito pelos astros do filme, Rafael Casal e Daveed Diggs, Blindspotting é um filme inspirado e sincero, que trata de temas como raça, preconceito, cultura e amizade. O longa tem alguns problemas, o que não diminui sua força, sendo um filme de extrema importância. Avaliação: 8

Outros ótimos filmes do ano passado, que, em minha opinião, não atingiram todo seu potencial, mas que são, indiscutivelmente, importantes e notáveis: o bizarro e criativo Sorry to Bother You, o terror brasileiro Good Manners, o dinamarquês The Guilty, que terá refilmagem americana com Jake Gyllenhaal, o gay drama albanês The Marriage, o delicioso Mary Poppins Returns, o importante BlacKkKlansman, retorno de Spike Lee  à forma, o bizarro romance erótico de François Ozon, Double Lover, o festejado horror Mandy, o redondinho e bem atuado Green Book, de Peter Farrelly, o divertidíssimo horror Revenge, o criativo Searching, o problemático mas divertido Widows, de Steve McQueen, o importante e atual The Miseducation of Cameron Post, o sucesso e bem bonitinho Crazy Rich Asians, a megaprodução Avengers: Infinity War, a sequência do também ótimo The Wave (2015), The Quake e o drama biográfico A Prayer Before Dawn, com Joe Cole.

Melhores Filmes 2018: Parte 1

Essa lista consta, sem ordem de preferencia, os melhores filmes que vi em 2018.

1- Shoplifters

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Excepcional filme japonês do diretor Hirokazu Koreeda, que é o representante do Japão ao Oscar 2019 de filme estrangeiro. Sobre uma família de ladrões de pequeno porte que acolhem uma garotinha que encontram abandonada no frio. Um dos filmes mais belos e emocionantes do ano. Avaliação: 9

2- A Star Is Born

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Refilmagem do longa de 1976, trata-se da estréia de Bradley Cooper na direção, que também estrela, ao lado de Lady Gaga. Conta a história de um musico que ajuda uma cantora a encontrar a fama, ao mesmo tempo que lida com sua carreira em decadência e com o alcoolismo. Cooper mostra talento surpreendente na direção, assim como Gaga como atriz, em um dos favoritos filmes ao Oscar 2019. Mesmo que a qualidade do filme caia drasticamente em sua segunda metade, ainda sim é um filme muito bem executado, sincero e bem atuado. Avaliação: 8

3- First Reformed

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Como já citei anteriormente no blog, o filme do diretor Paul Schrader e estrelado por Ethan Hawke sobre um padre que tem sua fé testada é uma das obras mais impressionantes e poderosas do ano. Em um mundo justo, esse filme e Hawke deveriam estar entre os nomeados ao Oscar 2019, que será anunciado nessa próxima quinta-feira. Absolutamente imperdível. Avaliação: 9

4- The Death of Stalin

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Também já falei sobre essa sátira politica no blog, em que mostra a disputa pela sucessão do poder na antiga União Soviética após a morte do ditador Stalin. Inteligente e absolutamente engraçada, com um elenco afiadíssimo. Avaliação: 8

5- The Favourite

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O grego Yorgos Lanthimos decididamente me conquistou de vez com esse excepcional filme, trazendo um trio de atrizes em atuações magnificas. O filme mostra um triangulo amoroso entre a rainha Anne (Olivia Colman), sua amiga próxima Lady Sarah (Rachel Weisz) e uma nova servente, Abigail (Emma Stone). É um dos filmes mais brilhantes, engraçados e bem atuados do ano. Avaliação: 9

6- Annihilation

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É Inacreditável que essa ficção cientifica brilhante tenha sido esquecida entre as maiores premiações do ano, sendo um dos filmes mais inteligentes e impressionantes dos últimos anos. É daqueles filmes que o faz pensar por dias após ter visto, seja pela mensagem, pelo visual ou pelas atuações. Mostra uma bióloga que se junta à uma pequena equipe de cientistas rumo à uma secreta expedição, com o objetivo de descobrir o que aconteceu com seu marido, que desapareceu em uma expedição parecida. Dirigido por Alex Garland e estrelado por Natalie Portman, Jennifer Jason Leigh, Gina Rodriguez e Tessa Thompson. Obrigatório!  Avaliação: 

7- Roma 

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Outro filme obrigatório, trata-se do belíssimo filme de Alfonso Cuarón, que mostra um ano da vida de uma empregada doméstica que trabalha para uma família de classe media no México dos anos 70. Favorito ao Oscar de filme estrangeiro do ano, essa obra fascinante e poderosa pode ainda levar o Oscar de melhor filme do ano. Avaliação: 9

8- Can You Ever Forgive Me

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Outro filme excelente que não vem recebendo a atenção que deveria, conta a historia de Lee Israel, (uma excepcional Melissa McCarthy), uma biógrafa de celebridades que, por falta de trabalho por não se adaptar mais ao perfil do mercado, acaba forjando cartas de figuras célebres. Baseado em fatos reais, a diretora Marielle Heller faz um excelente trabalho em um filme surpreendente e absolutamente bem executado, trazendo ainda uma trabalho formidável de McCarthy e Richard E. Grant , em duas das melhores atuações do ano. Avaliação: 8

9- Leave no Trace

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Dirigido por Debra Granik , que antes fez Winter’s Bone (2010), filme que lançou Jennifer Lawrence ao estrelato , mostra Will (Ben Foster) e sua filha adolescente, Tom (a revelação Thomasin Harcourt McKenzie), que moram pelas florestas de Portland, Oregon, até que são colocados em serviços sociais. Filme delicado, simples e poderoso sobre a ligação entre pais e filhos e seus diferentes ideais. Avaliação: 8

10 – Beast

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Filme sobre jovem que vive com sua família opressiva até conhecer um estranho por quem se apaixona e se muda. Tudo muda quando ele é preso suspeito de uma série de crimes brutais. Suspense psicológico sombrio e ambíguo com uma excelente performance de Jessie Buckley. Impressionante estreia na direção do jovem diretor Michael Pearce. Avaliação: 8

11- First Man

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Damien Chazelle tem apenas 34 anos e já possui um carreira brilhante, com filmes como o excepcional Whiplash (2014) e a obra-prima La La Land (2016). Seu último filme é um olhar sobre a vida de Neil Armstrong e a lendária missão que o tornou o primeiro homem a pisar na lua em 1969. Sincero, tecnicamente perfeito e muito bem atuado, especialmente Claire Foy, First Man pode não se comparar à seus trabalhos anteriores, mas ainda é um dos trabalhos mais bem executados do ano. Avaliação: 8

12- Private Life

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Utilizando de diversos métodos de fertilidade para engravidar, uma autora acaba tendo  seu relacionamento com seu marido colocado em risco. Dirigido por Tamara Jenkins, do premiado The Savages (20017)Private Life é um dos filmes mais emocionantes e profundos do ano, com uma cena final tão bela quanto incômoda. Kathryn Hahn está formidável como a protagonista. Avaliação: 8

13- Madeline’s Madeline

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O mais recente projeto de uma diretora de teatro assume vida própria quando sua jovem estrela leva sua performance sério demais. Esse filme experimental e absolutamente surpreendente traz uma das melhores atuações do ano, a revelação Helena Howard, hipnotizante em sua estreia como atriz. O filme é uma experiencia e seu significado pode variar para cada espectador, mas sem duvida trata-se de uma experiencia inesquecível. Avaliação: 8

14- Hereditary

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Após a morte da reclusa matriarca da família Graham, sua filha Annie (Toni Collette) e sua família passam a desvendar segredos sinistros sobre seus antepassados. Um dos melhores filmes de terror dos últimos anos, Hereditary é o longa de estreia do diretor Ari Aster. Apesar de no final pecar por explicar e mostrar mais do que deveria, contrariando a abordagem do longa até então, ainda assim é uma obra muitíssimo bem dirigida, absolutamente tensa e assustadora e de brinde, com uma performance fantástica de Toni Collette. Avaliação: 8

Dica: Filmes

1- Mary Poppins Returns (2018)

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Mary Poppins está de volta! Décadas após o original de 1964, filme que imortalizou Julie Andrews como a babá com poderes mágicos, a Disney resolveu trazer de volta a personagem, no que, considerando a legião de fãs do clássico, pareceu ser um movimento consideravelmente arriscado. Afinal, quem poderia substituir tamanho ícone? A resposta veio com a formidável Emily Blunt, injetando charme novo, porém sem destoar muito da personagem principal. Na nova trama, Mary Poppins retorna para ajudar os irmãos Banks e os filhos de Michael (Ben Whishaw, ótimo) durante uma fase difícil de suas vidas. O filme ainda adiciona Lin-Manuel Miranda, o que para mim, acaba sendo a parte mais fraca do longa. Seu personagem poderia ser editado sem afetar absolutamente nada na história. No final, mesmo o filme não sendo muito ambicioso em termos de roteiro, caprichados efeitos especiais, ótimo elenco, especialmente Emily Blunt  e uma boa mensagem fazem de Mary Poppins Returns um filme divertido e nostálgico. Ah, as musicas também são um deleite. Nos cinemas. Avaliação: 7,5

2- Roma (2018)

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Wow…A foto acima é apenas um exemplo dos muitos momentos belíssimos presentes nessa obra-prima do excelente diretor Alfonso Cuarón. Trata-se de Roma, que mostra um ano da vida de uma empregada doméstica que trabalha para uma família de classe media no México dos anos 70. O filme é baseado na própria vida do diretor, que dedicou o filme à verdadeira empregada, que inspirou a personagem Cleo (estréia da revelação Yalitza Aparicio). O filme, merecidamente, vem colhendo importantes prêmios de melhor filme e direção, sendo o favorito ao Oscar de filme estrangeiro. Cuarón também pode sair com a estatueta de diretor. O filme segue a personagem e acompanhamos sua rotina, o primeiro amor, decepções, a amizade com a outra empregada e sua extrema dedicação à família pela qual trabalha, principalmente as crianças. Tudo filmado com extremo detalhe e beleza e jamais caindo na monotonia. É sem dúvida um dos mais belos filmes do ano passado e arrisco dizer da última década. Obrigatório. O filme é original da Netflix. Avaliação: 9

3- Anchor and Hope (2017)

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O filme mostra um casal gay formado por Eva e Kat, que resolvem ter um filho e pedem a ajuda de Roger, amigo de Kat, para ser o doador do esperma. Com essa premissa, o filme tenta, de maneira satisfatória, mostrar as consequências desse compromisso, onde apenas Eva parece estar pronta para a maternidade e também o papel de Roger na vida da criança. O filme, dirigido por Carlos Marques-Marcel, que antes fez o superior 10.000 Km (2014), que indiquei no blog, se reune com os atores Natalia Tena e David Verdaguer, que mantem ótima química. O filme começa bem e se aprofunda nos personagens o suficiente para investirmos na história, porém ao ponto que os problemas vão surgindo, o diretor perde um pouco a mão e o longa fica menos interessante e totalmente previsível. Ainda assim, é um filme charmoso, tem bons momentos e um ótimo elenco, incluindo Oona Chaplin e participação pequena de sua mãe na vida real, Geraldine Chaplin. Disponível para locação online. Avaliação: 7

4- Anna and the Apocalypse (2017)

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Em pleno Natal, um apocalipse zumbi ameaça a cidade Little Haven, forçando Anna e seus amigos a lutarem para sobreviver. Mistura de gêneros como comédia, horror e musical, tive minhas esperanças desse longa ser, ok, não brilhante como Shaun of the Dead (2004), mas tão divertido quanto Zombieland (2009). Nope. Anna and the Apocalypse não é ruim, porém é muito menos divertido do que tinha potencial de ser. O filme tem seus momentos, importante dizer (um número musical em especial com uma canção sobre o papai Noel é hilária) e o elenco é carismático, porem os personagens acabam, em sua maioria, sendo rasos devido ao material limitado e o longa enfraquece consideravelmente na segunda metade. Mesmo não sendo tão engraçado quanto prometia, acaba sendo um filme decente e que entretem. Disponível para locação online. Avaliação: 6

 

 

Yay or Nay: Filmes

1- Mario (2018)

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Dois jovens jogadores de futebol se apaixonam e acabam tendo de escolher entre a paixão que sentem um pelo outro e a paixão pelo esporte. A homossexualidade, infelizmente, ainda é tabu para grande parte da sociedade e quase assunto proibido no mundo do futebol. Mario, assim como The Pass (2016) anteriormenteé uma grata surpresa, sendo bastante realista ao mostrar os efeitos que um relacionamento gay pode causar entre todos envolvidos em um mundo sabidamente machista. O elenco formado pelo alemão Aaron Altaras e principalmente o suíço Max Hubacher são talentosos e carismáticos.

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Veredito: YAY – Mesmo não sendo inovador, Mario é bastante eficiente e por vezes tocante, ainda que um pouco tímido e longo demais. Recomendo. Avaliação 7

2- The Marriage (2017)

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Bekim e Anita vão se casar, porém a noiva não sabe que seu futuro marido continua apaixonado por seu melhor amigo, o jovem Nol. Trata-se do filme representante de  Kosovo para a categoria de melhor filme estrangeiro do Oscar 2019. Porém o filme ficou fora da lista de finalistas da categoria. Dirigido por uma mulher, Blerta Zeqiri, The Marriage acerta ao fugir do dramalhão, preferindo por uma visão mais leve, porem não menos triste onde Bekim, mesmo apaixonado, mantem sua ideologia do casamento heterossexual conforme exigido pela sociedade homofóbica e mantendo Nol um segredo para todos. O elenco formado por Alban Ukaj, Adriana Matoshi e  Genc Salihu é excelente.

Veredito: YAY – Sólido e tocante filme que mostra três pessoas em busca do amor sendo guiadas por uma sociedade intolerante.  Avaliação 7,5

3- The House That Jack Built (2018)

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O filme mostra, no decorrer de 12 anos, a história de Jack, um inteligente assassino em série. O último filme do provocateur Lars von Trier parece mais um grito de desespero de um diretor que já fez muita coisa interessante, sobretudo o brilhante Melancholia (2011), e agora só quer chamar atenção. Antes de Jack, fez os também polêmicos Nymphomaniac: Vol. I e Vol. II (2013), que mostram, com sua visão e humor singulares, temas como amor e sexo alem de uma excelente performance de Charlotte Gainsbourg. Não é o caso desse filme, que, no intuito de fazer um estudo de personagem, no caso um serial killer, acaba mostrando um retrato vazio, pouco dramático, repleto de cenas violentas, chocantes e grosseiras e, pasmem, completamente tedioso.

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Veredito: NAY – Parece que Lars von Trier trocou boas ideias e visão por egocentrismo e esse filme é a prova de que o diretor está indo na direção errada. Torcemos que volte a criar filmes que signifiquem mais do que provocação por provocação. Avaliação: 4

4- Blindspotting (2018)

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Faltando poucos dias para terminar sua liberdade condicional, um homem começa a reavaliar seu relacionamento com seu melhor amigo. Escrito pelos astros do filme, Rafael Casal e Daveed Diggs, Blindspotting é uma das melhores surpresas do ano passado que, assim como outros filmaços (First Reformed, Madeline’s Madeline, entre outros), acabou não tendo o reconhecimento merecido nas principais premiações. Misto de drama e comédia, o filme trata de assuntos como racismo, amizade e cultura de maneira sincera e com ótimo senso de humor, principalmente através da química entre os personagens. A direção um pouco confusa quanto ao estilo que quer seguir e o uso de coincidências, que acredito diminuir a força do roteiro, acabam sendo seus pontos negativos.

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Rafael Casal e Daveed Diggs

Veredito: YAY – Blindspotting pode não ser perfeito, porém tem muito a dizer e o faz com ótimo senso de humor, que, somados às ótimas atuações, acaba sendo um filme importante e poderoso. Avaliação 8

 

Yay or Nay: Filmes

1- The Favourite (2018)

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Na Inglaterra do inicio do século 18, a rainha Anne (Olivia Colman, sublime) ocupa o trono, porem é sua amiga próxima Lady Sarah (Rachel Weisz) quem governa o país em seu lugar. A dinâmica entre as duas é ameaçada com a chegada da nova servente Abigail (Emma Stone, em mais uma excelente atuação). Trata-se do mais recente filme do grego Yorgos Lanthimos, diretor dos interessantíssimos The Lobster (2015) e The Killing of a Sacred Deer (2017). Apesar de reconhecer o talento de Lanthimos, sempre achei seus filmes um tanto frios demais para meu gosto. Essa percepção sem duvida não se aplica a The Favourite. Considerado por muitos como seu filme mais “acessível”, de forma alguma isso pode ser considerado algo negativo, não com uma obra tão elegante, tecnicamente impecável, repleto de momentos memoráveis (uma cena de dança, em particular, é primorosa) e atuações superlativas.

Veredito: YAY – Tratando com um delicioso humor negro de temas como ambição e poder, entre outros, The Favourite é inteligente, absurdo e hilário e traz um trio de atrizes que sem duvida estará onipresente na próxima temporada de prêmios de cinema. Um dos melhores filmes do ano. Avaliação: 9

2- The Cakemaker (2017)

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Um confeiteiro alemão viaja para Jerusalem em busca da esposa e filho de seu amante falecido. Representante de Israel para o Oscar 2019 de melhor filme estrangeiro, o filme acabou não ficando entre os finalistas. Interpretado de forma internalizada e sensível pelo jovem ator alemão Tim Kalkhof, o filme não perde tempo tentando desmistificar os sentimentos de seu personagem, que parece apenas estar agindo por instinto.  O que, de forma eficaz, evita que a obra se torne um dramalhão. Interessante também como os bolos e doces que o protagonista faz tem papel fundamental no filme, agindo como ferramenta importante na conexão entre os personagens.

Veredito: YAY –  Mais que um filme de temática gay, The Cakemaker trata de forma sensível e evitando polêmica, o amor e suas mais variáveis formas de expressão. Recomendo. Avaliação: 8

3- Mary Queen of Scots (2018)

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O filme conta a historia de Mary Stuart (Saoirse Ronan, excelente) que, na tentativa de destronar sua prima Elizabeth I (Margot Robbie), rainha da Inglaterra, acaba condenada há anos de prisão antes de ser executada. Filme de estreia de Josie Rourke, Mary Queen of Scots, a diretora merece credito pela escolha ambiciosa como primeiro trabalho, porem, infelizmente, o resultado acaba sendo apenas mediano. O principal problema é que, mesmo tendo pouco mais que 2 horas, não é o suficiente para cobrir, de forma satisfatória, anos de conspirações, traições e lutas e mesmo assim a diretora insiste, o que diminui consideravelmente a carga dramática e urgente dessa rica parte da historia.

Veredito: YAY –  Mas por pouco e principalmente pelo belo trabalho de atuação das duas  jovens atrizes. Ainda assim trata-se de um trabalho eficiente e que funciona como entretenimento descompromissado. Avaliação: 6

4- Bird Box (2018)

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Cinco anos após uma ameaça “invisível” dizimar a maior parte da população, uma mãe e duas crianças lutam desesperadamente em busca de um lugar seguro. Filme original da Netflix, Bird Box tem uma premissa interessante mesmo que pouco original. Dirigido por Susanne Bier, que antes fez a ótima serie The Night Manager (2016-2018), Bird Box tem muitos problemas, seja pelo excesso de personagens que não desenvolve, seja pela insistência em jamais mostrar a tal ameaça, diminuindo a tensão ou seja pela fraca química entre o casal principal. Estrelado por Sandra Bullock, que obviamente traz prestigio ao projeto, mesmo que não tenha me convencido completamente. Entretem, mas não muito mais que isso. Avaliação: 5

Veredito: YAY  – Melhor que The Happening (2008), de M. Night Shyamalan, embora isso não queira dizer muita coisa, o filme pode servir como uma versão um pouco mais eficiente de um tema semelhante. ou NAY – Absolutamente inferior a A Quiet Place (2018), um dos melhores filme de terror do ano, filme que também tem sido comparado tematicamente. Recomendo que fique com o filme de estreia de John Krasinski.